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ROCKFEST 21/09/2019 Allianz Parque - São Paulo - SP

03 OUT 2019
03 de Outubro de 2019

Por: Lucas Gervilla

Fotos: Ricardo Matsukawa/Mercury Concerts

 

            Em um Allianz Parque  praticamente lotado, cinco bandas subiram ao palco do Rockfest. Uma espécie de Rock in Rio paulistano, só que com um pouco mais de rock.

            O festival foi marcado pela pontualiade, com intervalos de meia hora entre uma banda e outra. Alguns shows começaram minutos antes do previsto, mostrando que os grandes concertos de rock mudaram. E mudaram mesmo: poucos cabeludos, nenhuma roda, barbas bem aparadas e sapatênis. Gourmetizaram o rock pesado. 

            Outro aspecto positivo foi a parte técnica. Um sistema de som muito bem regulado e dois enormes telões garatiram que todos pudessem ver e ouvir tudo o que acontecia no palco, independente do setor do estádio.

            Falemos dos shows:

Armored Dawn

            A banda brasileira que só se apresenta em grandes festivais porque o vocalista é dono de uma das empresas que patrocina esse tipo de evento. Se quiserem que falemos deles, vão ter que nos patrocinar também.

Europe

            Antes de sair de casa jurei pra mim mesmo que não iria fazer trocadilhos em relação à apresentação do Europe, mas isso é quase impossível: o show deles é uma grande contagem regressiva para a música The Final Countdown. Tecnicamente a banda é muito boa, mas não empolgaram muito. Na verdade, o Europe foi a banda de abertura do festival.

            O vocalista Joey fez tudo o que pôde pra ganhar o público: tocou guitarra, dançou com o pedestal do microfone, abraçou os fãs que estavam na grade da pista (premium), correu de um lado para o outro, leu frases de efeito em português e todos os outros clichês do tipo. Uma banda-de-um-sucesso-só bem esforçada. 


Helloween

            Com 35 anos de carreira, o Helloween aprendeu a não se levar tão a sério. Picuinhas internas resolvidas, a banda agora é um septeto que esbanja entrosamento. Andi Deris e Michael Kiske se divertem enquanto cantam; Kai Hansen, Michael Weikath e o caçula Sascha Gerstner não ficam competindo entre si para ver quem é o melhor guitarrista do grupo; Markus Grosskopf continua sendo um baixista bem criativo; e Daniel Löble não deixa dúvidas do porquê é o baterista mais duradouro da banda.

            Todos esses fatores combinados transformaram o show do Helloween em um grande festa. O conjunto soube mesclar músicas de difentes nuances dentro do seu próprio estilo, desde as rápidas e pesadas I’m Alive e Ride the Sky, as divertidas Power e Perfect Gentleman e finalizando com Future World e I Want Out.

            Mais uma vez o Helloween mostrou que o metal pode ser mais animado e menos careta. Teve até algumas passagens de reggae em How Many Tears.

Whitesnake

            Para uma boa parte do público esse era o primeiro show que realmente interessava. Muita gente com camiseta da banda  ainda estava entrando durante o show do Helloween, uma pena.

            Dave Corverdale é um ótimo frontman, passou praticamente todo o show na passarela que adentrava na pista premium; próximo do público e distante dos seus companheiros de grupo, com quem pouco interagiu. Esse distanciamento dava a impressão de que o show era de “Dave Coverdale & banda”. Mas o público não pareceu se importar muito com isso. Sua voz continua potente e clássicos como Here I Go Again, Love Ain’t No Stranger e Here I Go Again tiveram os refrães cantados por quase todos.

            Com um show um pouco mais longo que os anteriores (80 minutos em vez de 60) o Whitesnake caiu fácil na tentação de preencher o tempo com intermináveis solos de guitarra e bateria. Sabemos que os músicos são bons, mas seria mais proveitoso mostrar tanta técnica em outras canções da banda.  Para encerrar, o grupo tocou o clássico Burn do Deep Purple, banda da qual Coverdale fez parte, embora essa canção não tenha sido gravada por ele. Sairam do palco muito aplaudidos, o que é justo. Embora o show tenha sido morno e previsível.  

Scorpions

            Em uma turnê de despedida que já deve durar uns cinco anos, o Scorpions voltou a São Paulo e deixou claro porque se negam a parar: poucas bandas são tão boas quanto eles.

            A voz de Klaus Meine continua igual ao que era 50 anos atrás, isso foi perceptível logo nas primeiras músicas Going Out With a Bang e Make it Real. A medida que o show foi passando a banda parecia ir esquetando e ficando ainda melhor. Rudolf Schenker e Matthias Jabs se revezam em solos rápidos e bases pesadas, enquanto Pawel Maciwoda toca baixo com som de baixo. E o que dizer de Mikkey Dee? O “melhor baterista do mundo”, nas palavras de Lemmy (se Deus disse, é melhor não discordar).

            Não faltaram as baladas Wind of Change, Still Loving You e Send Me An Angel. Nem as pesadas Blackout e The Zoo. Foi uma surpresa ouvir ao vivo We Built this House, uma das canções mais recentes do grupo. Como era esperado, o show se encerrou com Rock You Like a Hurricane, deixando a impressão de que a apresentação da banda durou 10 minutos e não uma hora e meia. Que continue a turnê de despedida do Scorpions.

Agradecimentos: Mercury Concerts e Catto Comunicação

 

PS.: O festival foi muito bem organizado e sabemos que não é nada barato produzir um evento desse porte. Mas R$12,00 numa lata de Itaipava é sacanagem…

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