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PROPHETS OF RAGE Audio Club - São Paulo-SP 09/05/2015

07 JUN 2017
07 de Junho de 2017

Me lembro de ler uma entrevista com Tom Morello, nos anos 90, em que ele dizia que toda música é política, independente do estilo. Essa afirmação é ousada, principalmente se pensarmos em alguns estilos que inundam as rádios nos dias de hoje mas, com certeza, Tom Morello continua fazendo política com sua música; e o show dos estadunidenses do Prophets of Rage na Audio deixou isso bem claro.

 

Depois de uma discotecagem de uns 40 minutos do DJ Lord, os outros membros do grupo subiram ao palco e começaram a tocar "Prophets of Rage" (Public Enemy), seguida de “Testify”, “Take the Power Back” e “Guerrilla Radio” (RATM). A essa altura, o público já tinha percebido que esse seria um show de grandes sucessos. "How could I Just Kill a Man" ganhou um novo arranjo, mais pesado mas sem perder a pegada do Cypress Hill.

 

Todos da banda pareciam estar bem empolgados com sua primeira apresentação no Brasil e o público cantava alto todos os refrãos.

 

Um dos grandes momentos da noite foi quando Chuck D, B Real e o DJ Lord fizeram um medley com clássicos do Cypress Hill e Public Enemy, terminando com "Jump Around" do House of Pain. Os dois se completam na forma de cantar e em nenhum momento um tenta se aparecer mais do que o outro.   

Também teve "People of the Sun" e "Bullet in your Head". Uma grata surpresa foi quando Tim Commerford  e Brad Wilk começaram a tocar  "Seven Nation Army" do White Stripes. “Unfuck the World” deu uma prévia de como será o primeiro EP do grupo.

 

Depois veio "Bulls on Parede", que ganhou um novo significado na voz  de Chuck D cantando a frase: "they rally around the family! With the pocket full of shells”.

 

E como já era de se esperar, pra encerrar a noite: "Killing in the Name", transformando a pista em um pandemônio.

 

Sem dúvidas, o Prophets of Rage é uma banda política e isso não é só pelo cartaz de "Fora Temer" na guitarra de Tom Morello. A formação do grupo tem 3 negros, isso é extremamente raro dentro do rock, além disso, 4 deles são filhos de imigrantes. É impossível isso não se refletir na música do grupo.

 

As letras das músicas, algumas com quase 30 anos, permanecem atuais. Juntar em uma única banda integrantes do Rage Against the Machine, Public Enemy e Cypress Hill é um risco ao pensamento conservador, pois  são bandas que sempre fizeram músicas chamando à atenção para as minorias.

 

Lucas Gervilla

 

Fotos: Marcelo Rossi

Agradecimento: Ana Beatriz Coelho/Midiorama

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