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James Johnston se rende ao Amor em seu Primeiro Álbum Solo The Starless Room.

17 NOV 2016
17 de Novembro de 2016

James Johnston é um grande exemplo de como se tornar um grande músico, fazendo o quer e do jeito que acha mais conveniente e verdadeiro. Com sua cultuada banda Gallon Drunk sempre foi assim e mesmo assim sempre estiveram figurando em listas de melhores do ano ou até mesmo abrindo shows para gigantes pop como Morrissey, entre outros.

Ainda assim nunca estiveram no topo do Mainstream. Não por falta de sorte, mas, fundamentalmente, porque eles sempre fizeram música que agrada a um núcleo de fãs malucos, nunca fizeram musica comercial suficiente para as playlists de rádios rock populares.

Mas o lance é esse .... Quando você continua fazendo o que você ama e continua fazendo música com integridade e dedicação à sua arte, grandes coisas podem acontecer. James acabou tocando com um monte de bandas legais, incluindo uma temporada com os tão ovacionados Bad Seeds de Nick Cave, e agora faz parte da mais recente e incrível formação que a PJ Harvey já montou em sua carreira, James está correndo o mundo com a PJ e acaba de finalizar seu primeiro álbum solo The Starless Room que será lançado amanhã, Sexta Feira dia 18-11.

The Starless Room se distingue pela sua Grandeza e romantismo, tanto quanto sua refrescante abordagem musical.

São dez lindas canções, abrindo com “I'd Give You Anything”, uma verdadeira declaração de amor de Johnston   “We’re bound together now/ Like a second soul” que vai ficando ainda mais alegre quando o coro que se junta a ele, e que termina com" When The Wolf Calls ", o seu calmamente, que James passeia com sua voz acompanhada de linhas de piano ondulantes, e consegue encontrar o homem foi transformado pelo amor. Nem mesmo parece aquele que se criou no meio de guitarras distorcidas, saxofones e ritmos brutais.

James soa nesse disco como se estivesse saído de um porão sujo e descoberto sua felicidade se banhando num sol de otimismo, o amor é a grande ligação em todo o álbum, de como este sentimento pode distanciar uma pessoa do mundo e inversamente pode te aproximar de sua própria alma.

Intrigado com tudo isso, pedimos licença prestamos reverencia e conseguimos contato com o Grande, Fabuloso e Performático James Johnston para uma conversa sobre tudo isso e mais um pouco.

 I'd Give You Anything, a primeira faixa do disco

Juke  - O processo de criação deste álbum solo é semelhante ao que é feito com o Gallon Drunk?

James - Na verdade, foi muito diferente, e propositalmente. Nós tínhamos gravado e lançado dois discos do Gallon Drunk muito rapidamente, e eu realmente não queria repetir a mesma fórmula, então eu estava escrevendo de forma e estilo diferentes, principalmente usando o piano ao invés da guitarra. Eu estava muito mais insular, tanto na escrita quanto na gravação. O produtor Johann Scheerer me ajudou e incentivou muito em relação a direção que eu estava seguindo. As letras tinham que ser diferentes também, como a música que estava indo nesta nova direção. Normalmente com Gallon Drunk eu escrevo e construo o embrião da música, então nós da banda, desenvolvemos todos os elementos e arranjos juntos. Com este trabalho solo e me senti muito mais livre, e fomos capazes em seguida de retirar qualquer coisa demasiadamente familiar ou óbvia da essência da música.

Juke  - Quais são as principais características deste novo álbum?

James - Em primeiro lugar a instrumentação. As bases são principalmente em torno da voz e piano. O resto da instrumentação são tambores em um estilo muito peculiar e livre, baixo, baixo moog, cordas e um monte de backing vocals que foram feitos por um coro de Hamburgo, onde o álbum foi gravado. Não há solos, é tudo muito sucinto. É sobre a melodia transmitindo algo que venha mover as pessoas, e não há um traço definitivo de melancolia nele, mesmo quando é edificante. As letras são muito claras nestas gravações, mais do que nunca, e elas são totalmente casadas com a música e atmosfera. Pra começar, eu acho que é bastante óbvio quando as pessoas que não tem o inglês como sua primeira língua ouvirem as músicas, vão ter a sensação que as músicas falam por si mesmas eu prefiro assim, ao invés de tentar explicar ou defini-las, eu acho mágico o mistério que você pode ter sido capaz de criar. A impressão que o ouvinte pode relacionar com a sua própria vida ou a experiência emocional ouvindo um tipo de música.

 

Juke  - Este álbum conta com participações de alguns amigos?

James - Ian White do Gallon Drunk toca bateria no álbum. Dada a natureza da música, ele teve de adaptar o seu estilo, tanto quanto eu fiz, e ele amava o desafio de abordar os tambores de forma muito diferente. Desempenhou lindamente seu papel, adicionou aos registros muita cor e textura tanto quanto ritmo. Johann (o produtor) também toca baixo elétrico em algumas das canções, nos mantivemos em uma unidade muito compacta na gravação inicial, que ajudou a ser capaz de experimentar mais e tentar criar músicas de diferentes maneiras. Em seguida, o coro e as cordas entraram para terminar o quadro e realmente trazer para fora toda a cor do álbum.

 

Juke - Você é um cara que já tocou com vários outros artistas, agora participou ativamente no novo álbum de PJ Harvey ... Como toda essa troca de experiência influenciou sua carreira?

James - Sim, eu tenho tocado ao longo dos anos com os The Bad Seeds, Faust , Polly , Lydia Lunch, realmente grandes artistas que eu tenho tido sorte o suficiente para tocar. Se você continuar querendo algo novo para sua vida – caminhos diferentes, eventualmente, ir além do que você mesmo imaginou que poderia ir, provavelmente tem que se influenciar por este tipo de artista, e influenciou totalmente na minha maneira de tocar e pensar em música.

 

Juke - Como você descreveria o álbum solo de James Johnston?

James - Eu queria algo atemporal, com um toque clássico como um disco do Lee Hazlewood, mas ainda assim ter uma clareza moderna para ele e se encharcar todo no passado, bastante difícil de descrever para ser honesto. Há dez músicas no álbum e muito intimista, a sensação ainda exuberante em relação a ele. E definitivamente não é um registro barulhento, muito pelo contrário, muito mais dramática como resultado, e definitivamente mais direcionado emocionalmente. No passado eu acredito que eu me escondia muito atrás do Barulho, aqui a cor e a textura são mais sutis. Há momentos em que eu escutei e eu nem acredito que é o meu próprio album, eu estou tão satisfeito com ele. É a melhor coisa que eu já fiz - e mais perto de mim como pessoa e que eu realmente ouviria. Muito trabalho e meus pensamentos foram para esse registro.

 

Juke - O que você ouve ultimamente?

James - Bem, eu obviamente ouço muito PJ Harvey , inclusive o material antigo para os ensaios e para a turnê, e também meu próprio álbum novo enquanto estávamos no processo de mixagem e masterização. Fora isso, eu tenho escutado Big Star 3ª, 70 de John Cale, Nina Simone, Isaac Hayes, Tallis música coral, The Staple Singers na década de 50 e 60, esse tipo de coisa.

 

Juke – E depois desta turnê com a PJ, turnês para lançamento do álbum?

James - Sim definitivamente.  A Tour da Polly começa em poucos dias. É uma longa turnê que vai bem até o próximo ano – plugados e desplugados, mas não haverá tempo suficiente no calendário para mim estar a tocar o novo álbum ao vivo, e estou muito ansioso para isto. Ian vai se juntar a mim na bateria para os shows, e nós vamos ter cordas, talvez todos os shows. Toquei cerca de metade do álbum ao vivo em um evento em Hamburgo, que foi muito bem gravado, por isso espero que eles lancem este ano também.

 

Juke - Você conhece alguma coisa da música brasileira?

James - Eu escuto todos os tipos de músicas diferentes, e como algumas das bandas psicodélicas brasileiras, e algumas bandas contemporâneas que eu ouvi, bem como alguns afoxés e outras músicas indígenas e folk, mas realmente não sou especialista em música brasileira sendo  honesto.

 

Juke - Uma mensagem para os fãs brasileiros que sonham em ver o Gallon Drunk por aqui.

James - Nós gostaríamos muito de tocar por aí também! Meu irmão escreveu um livro sobre Nick Cave no início dos anos noventa, e ele visitou Nick em São Paulo. E na época eles estavam vendo TV e começou rolar o clip de  “Some Fool's Mess” , ao final do clip  meu irmão comentou quem eu era, e Nick esbravejou “O que este maluco está fazendo?”  e veja só, alguns anos mais tarde acabei nos The Bad Seeds.

As pessoas me dizem que a TV e rádio nos ajudaram muito no Brasil, quando começamos, e eu sou muito grato por isso, e tenho um enorme desejo de tocar ao vivo pra vocês.!

 

Rating -  9/10

"What we have here in" The Starless Room "is one of Johnston's greatest musical achievements, a massive statement from a much more mature artist"

Nilson Paes – nilsonpaes@jukeboxradio.net

 


Artist: James Johnson

Album: The Starless Room

Launch: 18/11/16

Label: Clouds Hill Records

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Clouds Hill Page

Pré Venda do Album

Tracklist:

1 - I’d Give You Anything 

2 -  St. Martha’s     

3 - Starless Room                                                     

4 - Cold Morning Light                                               

5 - Dark Water                                                         

6 -  Frozen Time

7 -  Heart And Soul

8 -  The Light Of Love

9 -  Let It Fall

10 - When The Wolf Calls 03:35

 

 Dark Water, a décima faixa do disco
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