Menu

        JUKEBOX WEB RADIO

Bem vindo ao Mundo de Chavez!

16 NOV 2016
16 de Novembro de 2016

O quarteto de Nova York, Chavez, nunca acabou de fato. Mantém a chama acesa até hoje por quase 20 anos, nos últimos anos aconteceram apenas alguns shows esporádicos desde o lançamento de seu último e cultuado álbum, Ride the Fader, de 1996. O último destes encontros foi em 2012 no Festival All Tomorrow Parties, que tinha a curadoria do Portishead.

Desde então, sempre existem rumores do terceiro álbum que de fato nunca se materializou, mas agora em 2016 a banda declinou de seus afazeres paralelos e os quatro membros, o vocalista/ guitarrista Matt Sweeney, o guitarrista Clay Tarver, o baixista Scott Marshall e o baterista James Lo estão de volta com um novo E.P., intitulado CockFighters com lançamento previsto para Janeiro/2017 e parece que um álbum cheio também, se tudo correr bem.

Uma das coisas mais interessantes na banda Chavez, é o fato que os grandes fãs de música em volta do planeta realmente sempre aguardam algo novo destes caras, e incrivelmente eles conseguiram reunir um grande número de novos fãs, mesmo com a escassez de material novo e com poucas apresentações ao vivo, são classificados como um patrimônio ativo na Influente gravadora de Nova York , Matador Records.

Para os ainda leigos, o Chavez nasceu da dissolução de algumas bandas que já figuravam na cena pós punk e do circuito underground Americano, o Baterista Lo tocou com a super barulhenta  Live Skull e Tarver foi um dos fundadores da seminal Bullet LaVolta, e segundo Tarver o grande propósito de tocarem juntos foi fazer algo que realmente acreditavam, de verdade.

Com o anúncio de CockFighters, que tem uma bela capa inclusive, a banda soltou o novo single “The Bully Boys” que você pode conferir abaixo. Por enquanto, ficamos com um Bate Papo que tive com o sábio Clay Tarver, o guitarrista supersimpático da mais conhecidas das desconhecidas bandas americanas dos anos 90.

Welcome Clay, Welcome Chavez!!!!!

Juke - É verdade que vocês estão trabalhando em um novo álbum?

Clay – Neste Momento, não é um álbum. É apenas um EP. E se tudo correr bem, podemos gravar e liberar mais material. E, sim, estamos trabalhando nisso desde sempre. Por quê? Bem, a verdadeira resposta é que nunca terminamos. Raramente fazíamos shows. Mas gostaríamos de nos reunir regularmente para tocar ou escrever. Por alguma razão, nunca chegamos a odiar um ao outro. Nós realmente gostamos de ficar juntos e tocar quando podemos. Eventualmente, tínhamos músicas que achávamos necessárias gravar.

Juke - Qual foi o fator determinante para a banda ficar adormecida por tanto tempo?

Clay - Bem, primeiro de tudo, nós realmente estávamos fodidos porque todos nós começamos a ter vidas. Eu me tornei um roteirista e tenho filhos. Matt se tornou um compositor e produtor muito procurado (soa engraçado até) e James é e sempre foi um artista incrível. Scottie nosso baixista é um diretor de filmes e tem filhos também.

Mas havia outro fator também. Quando nos reunimos pela primeira vez, prometemos a nós mesmos que só faríamos o que queríamos fazer - não o que DEVEMOS fazer, o que QUEREMOS fazer. E a verdade é que no final dos anos 90, parecia-nos que ninguém realmente se importava com a banda Chavez ou com o que estávamos fazendo. Não estávamos mais alcançando pessoas com nossas turnês. Foi decepcionante e frustrante porque realmente acreditávamos no que estávamos fazendo. Então, nós começamos a apenas fazer eventos que de fato achávamos divertido,  interessante ou com amigos que gostamos. Então nossas outras vidas tomaram conta. Mas nós nunca terminamos. Nós apenas continuamos tocando para nós mesmos. Trabalhando em material. Temos o suficiente para um álbum completo. E então ele se tornou uma questão de tempo ou quando realmente poderíamos nos reunir. Tornou-se ridículo escolher um horário. Mas, seja o que for, pelo menos temos três músicas gravadas. Agora posso morrer um pouco menos decepcionado, rsrs.

Juke - Tanto tempo sem lançar nada, além da compilação "Better Days Will Haunt You" de 2006 e uma turnê na época, fez da banda, uma das mais cultuadas dos anos 90, você acha possível que vocês tenham ganhado mais fãs parados do que se estivessem ativos?

Clay - Sim, quanto menos tocávamos, mais pessoas pareciam gostar de nós. Eu não tenho certeza do que aconteceu. Isto é tão estranho. Eu encontrar tantas pessoas que conhecem a banda. Uma sensação tão estranha. Meu vizinho em minha casa nova, ontem disse que ele era um fã. Um casal de escritores no meu trabalho sabia sobre nós e foram tipos de fãs de ir em shows e tudo mais. Isso me faz rir.

 

Juke - Como você define o som da banda hoje, nós ainda poderíamos usar os termos Post Rock ou Math Rock?

Clay - Bem, podemos viver com o Post Rock. Mas nós meio que não suportamos o termo “Math Rock". Meu amigo/ colega de quarto David Kleiler foi quem criou este termo na verdade. E foi um erro na verdade, como deveria ter sido na época. Nós não éramos de ficar frios num palco como alguns músicos de merda que preferiam usar este termo. Chavez era, além de tudo, uma REAÇÃO contrária para coisas que você poderia chamar de Math Rock agora. Nossa missão era mesclar todas as coisas que gostamos e isso era muito desafiador para fazer músicas reais, música fora da música. Gostamos de riffs ásperos e angulares sim. Nós amamos o Jesus Lizard, Slint, e todas essas coisas pesadas e lentas de guitarra também. Nós amamos surpresas em canções. Mas queríamos trabalhar com melodia real nelas. Para nós a música sempre teve emoção. Isso foi muito importante para nós. E quando você diz Math Rock implica num cálculo insensível. Estávamos sinceramente no lado oposto disso tudo. E a música da Chavez sempre nos trouxe uma emoção perfeita.

Quando eu ouço isso agora, eu meio que não posso acreditar que tantas pessoas não "entendam". Não é música difícil. Sinceramente acredito nisso. Acho que é uma composição muito boa. Éramos nazistas sobre controle de qualidade. E tomamos o ofício de escrever muito, muito a sério. Acho que essa é a verdadeira estrela da Chavez, posso até parecer arrogante e orgulhoso, mas é isso.

Juke - Neste período fora da atividade você se dedicou a algum outro projeto musical como fez Matt Sweeney?

Clay - Nah. Ninguém quer tocar comigo. Ou, sei lá, eu é que eu não quero tocar com eles? Matt, James e Scottie são meus Brothers. Eles são meu verdadeiro amor. Por que eu iria tocar com mais alguém? (Eu toquei em uma canção do Afghan Whigs há alguns anos atrás. Eles são muito bons, velhos amigos que tocaram em um álbum do Bullet LaVolta. Isso foi divertido.)

Matt é mais uma puta, eu acho. Bom para ele. Ele tem um currículo incrível de trabalho que ele deve estar orgulhoso. Ele é uma força para o bem na música. Precisamos de mais putas como ele.

Juke - O álbum já tem um nome e data prevista de lançamento?

Clay - É apenas um EP e é chamado de "Cockfighters." Está saindo neste outono pela Matador. Tem uma capa maravilhosa.

Juke  - Depois do lançamento do álbum, vocês estão planejando uma turnê fora dos Estados Unidos?

Clay - Improvável. Mas alguns de nós realmente querem fazer shows., outros não. Vamos ver como sentimos tudo isso. Tenho esperança que aconteça, mas eu meio que duvido.

Juke - Que bandas ou artistas desta nova geração você acha que é legal?

Clay - Eu gosto de Speedy Ortiz. Eu gosto de Carseat Headrest. Eu realmente gosto de Ty Segall. Mas eu sou um velho, velho, Nilson Paes. Você deveria perguntar ao Matt tudo isso. Ele só tem 47 anos.

Juke - Conhece a música brasileira? Você tem muitos fãs aqui, seus álbuns foram lançados aqui também, espero vê-los por aqui um dia.

Clay - Eu não conheço quase nada de música brasileira. Mas, porra. Veja?! Veja?! É por isso que temos de fazer shows. Se você armar um show em São Paulo, eu farei com que nossos mal-humorados membros de Chavez façam isso. Aposto que até funcionaria. Qualquer coisa depois de fevereiro nós estamos por aí. (Talvez.)

Juke - O que você pensa honestamente sobre o retorno de tantas bandas que acabaram nos anos 90?

Clay - Estou em conflito, Eu aprovo alguns. Mas nem todos. Eu adorei quando eu pude ver uma versão real do Guided By Voices que eu amava tanto. Isso foi incrível. Eu adorava quando eu podia ver os quatro membros da Come tocando juntos. Não há substituto. Mas eu também fico irritado quando bandas que eu considero um pouco "ruins" voltam a tocar juntos. Muitos deles preferem permanecer no passado.

Quanto a nós? Em primeiro lugar, nunca fomos populares. Então não é como se estivéssemos investindo em qualquer coisa. Em segundo lugar, nunca terminamos. Terceiro de tudo, queremos que se foda. Podemos fazer o que quisermos.

 

Ta aí, isso mesmo Mr. Clay, Façam o que quiserem, isso com certeza será o melhor de tudo.

 

Confira abaixo “The Bully Boys” e tirem suas próprias conclusões.

Facebook da banda aqui

Pagina da Banda aqui

Para comprar o álbum aqui


Nilson Paes - nilsonpaes@jukeboxradio.net

Voltar
Tenha também o seu site. É grátis!